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março
Mundo

Foguete chinês pode cair no Brasil? Entenda as chances e os riscos reais

Ao longo da semana, muito se falou sobre a queda de destroços do módulo do foguete chinês que está fora de controle; entretanto, o que isso representa para o nosso país? Saiba mais

Via Redação | Publicado por Administrador | às 07:33:21

Essa semana muita gente se preocupou com a notícia de que um enorme foguete chinês estaria caindo de forma descontrolada na Terra . Mas será que isso realmente representa algum risco para nós?

Primeiramente, é importante ressaltar que objetos são abandonados em órbita e reentram na atmosfera da Terra praticamente todos os dias. Recentemente, tivemos o caso da reentrada do segundo estágio de um foguete Ariane 5 visto em várias cidades do Pará ao Ceará, e também um caso registrado no noroeste americano, da reentrada do segundo estágio do Falcon-9. Geralmente, esses objetos têm “apenas” algumas toneladas e são quase que completamente vaporizados durante a reentrada, restando apenas algumas partes mais resistentes.

E é aí que começam as grandes diferenças: o estágio central do foguete chinês Longa Marcha 5B , que deve cair nesse final de semana, é uma peça enorme, com 33 metros de comprimento, 5 de diâmetro e cerca de 21 toneladas de massa. Bem maior e mais massivo que a grande maioria dos objetos que costumam reentrar nossa atmosfera.

Incidente nos anos 70

Até já houve reentradas de objetos mais massivos. Em 1979, por exemplo, a Skylab , que foi a primeira estação espacial americana, reentrou de forma parcialmente descontrolada. A Skylab tinha mais de 70 toneladas e seus detritos se espalharam por uma enorme área do Oceano Índico e do Oeste da Austrália.

O incidente com a reentrada da Skylab foi algo tão preocupante e perigoso que, a partir dele, foram estabelecidos protocolos internacionais para evitar reentradas descontroladas de objetos com mais de 10 toneladas. Só que, aparentemente, a China, que é nova na exploração espacial, está ignorando as recomendações.

Longa Marcha 5B parece estar sem controle

Desde a Skylab, a maioria dos grandes foguetes enviados para o espaço tem uma reserva de combustível para executar uma manobra de deorbitação, que provoca a reentrada em um local seguro. Geralmente isso é feito imediatamente após o foguete cumprir sua missão, mas, no caso do Longa Marcha 5B, essa manobra não foi realizada.

Em uma conferência de imprensa realizada na última terça-feira (4), Wang Jue, Comandante-em-Chefe da missão chinesa , informou que houve algumas melhorias no foguete que colocou em órbita o primeiro módulo da nova Estação Espacial Chinesa. Entretanto, nada foi falado em relação a alguma possível manobra de reentrada do Longa Marcha 5B, e isso gerou desconfiança na comunidade internacional.

Essa desconfiança foi agravada depois que observadores de satélites em vários países perceberam que o foguete está girando no espaço, o que indica que ele foi largado à deriva e deve cair de forma descontrolada na Terra. Só não sabemos onde, nem quando. Mas por quê?

Porque o foguete deve reentrar na atmosfera

Para orbitar a Terra , qualquer objeto precisa viajar a uma velocidade de cerca de 27 mil quilômetros por hora, o que gera uma força centrífuga que compensa a atração gravitacional. Só que, após cumprir sua missão, o Longa Marcha 5B foi deixado em uma órbita baixa, atingindo cerca de 170 quilômetros de altitude em seu ponto mais próximo da superfície. Nessa altitude, existem partículas de gases atmosféricos em quantidade suficiente para produzir arrasto, e isso reduz a velocidade do foguete, fazendo com que, aos poucos, a gravidade prevaleça.

A cada órbita em torno da Terra, o arrasto reduz ainda mais a velocidade do foguete, como consequência, sua altitude diminui, o que faz o foguete atingir camadas ainda mais baixas e mais densas da atmosfera , que oferecem ainda mais resistência. É um caminho sem volta. Sua órbita vai deteriorando até ele atingir o ponto de ruptura, quando o calor intenso e a desaceleração mecânica fará com que o foguete se despedace e queime por algum tempo.

Previsões de reentrada

Em teoria, poderíamos calcular essa deterioração orbital e determinar o exato momento em que o objeto iniciaria sua reentrada . Entretanto, esses cálculos envolvem parâmetros que são de difícil determinação, como a rotação do foguete e o fluxo de partículas solares, que pode interferir na densidade dos gases na alta atmosfera. Por isso, apenas quando estamos nos aproximando do momento da reentrada é que as previsões se tornam mais precisas.

Até o momento, a previsão de reentrada é para a manhã de domingo (9), com uma margem de erro de 12 horas, e durante esse período, o Longa Marcha 5B faz 10 passagens sobre o Brasil, o que representa uma possibilidade de 1,92% que a reentrada ocorra em céus brasileiros.

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