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Exclusivo - Pesquisadora fala sobre “fogo no solo, no bairro Silva Regina”.

Por Drª Celina Dias, pesquisadora em Tecnologias Ambientais e Recursos Hídricos.

Via Redação | Publicado por Administrador | às 08:48:37

Como primeiro artigo, inaugural, no canal Conteúdo MS, restringirei uma opinião como pesquisadora em Tecnologias Ambientais, sobre o “fogo no solo, no bairro Silva Regina”.

Começando pela altitude média maior de 560 m, cujas águas de chuvas percorrem desde as áreas do Aeroporto Internacional de Campo Grande até às margens do afluente do Córrego Imbirussu, considerando a margem esquerda do fluxo de águas superficiais do corpo hídrico e declividade do terreno até o bairro Silva Regina. Logo, à margem direita, a altitude média maior é de 560 m, cujas águas de chuvas correm desde a área militar, nos altos da Vila Planalto, seguindo para Vila Almeida até o Silva Regina.

É importante ressaltar que o bairro Silva Regina está inserido em uma posição de recebimento de todas as águas lixiviadas pelas chuvas, o que o torna vulnerável na condição ambiental e sanitária, destacando que o curso hídrico também pode estar concentrado em materiais indesejáveis à comunidade aquática. Mas é uma realidade natural de centros urbanos, uso e ocupação do solo, e que certamente a sociedade pode se orientar pelo Plano Diretor Municipal, que de tempos em tempos sofre revisão, objetivando melhorar a qualidade de vida dos munícipes e investidores.

Ressalto também que o fluxo de águas subterrâneas é um fator relevante importantíssimo para interpretar suposições de contaminações de lençóis freáticos, na região, por compostos oriundos de petróleo, pois estes são inflamáveis. Ao longo do tempo, de 20 a 30 anos, pode ser que alguns incidentes de armazenamento de combustíveis possam ter se infiltrado no solo e nas águas subterrâneas, e a declividade do terreno favorece a descida para os bairros a jusante do terreno íngreme. Com baixa umidade, e faíscas locais, o fogo no solo é inevitável.

Ressalto que o uso e ocupação do solo, é de domínio legal da esfera Municipal, e que as águas superficiais e subterrâneas são de domínio do Estado, e que a Resolução CONAMA nº 420/2009 dispõe sobre procedimentos de Gerenciamento de Áreas Contaminadas, cujos passivos ambientais devem ser investigados pelo poder público, assim como as condicionantes devem ser fiscalizadas, também pela sociedade.

E por falar em participação social, assim como existem os Comitês de Bacias do Rio Ivinhema, do Rio Miranda, Santana-Aporé, é curioso a não existência do Comitê de Bacias do Rio Pardo, onde está a capital do Estado, as Universidades, FIEMS, FAMASUL, entidades de classes como o CRQ, CREA, CRBio, Assembléia Legislativa, ONGs e demais colegiados tão preocupados com o meio ambiente e recursos hídricos, mas não há pautas em Semanas do Meio Ambiente e Semana das Águas que contemplem um tema tão importante para o sanitarismo, considerando ainda a devastação pela pandemia atual pelo COVID-19.

Então, sugiro uma Investigação de Passivo Ambiental na região, talvez tenhamos possibilidades concretas e científicas para não só explicar o “fogo no solo”, mas tomar medidas e providências cabíveis para se evitar maiores tragédias.

Por Drª Celina Dias, pesquisadora em Tecnologias Ambientais e Recursos Hídricos.

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