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POLÍCIA FEDERAL

Escândalo - Polícia Federal libera áudios do esquema de compra de votos em Corumbá; ouça

Via Redação | Publicado por Administrador | às 05:22:38

A Polícia Federal divulgou os áudios que fazem parte do inquérito que apura o suposto esquema de compra de votos que teria sido colocado em prática por servidores municipais comissionados do Prefeito Marcelo Iunes, vereadores e candidatos apoiados pelo chefe do executivo.

Reportagens do Folha MS publicadas na semana passada, mostraram as formas utilizadas pela organização para angariar votos em troca de favores, cestas básicas, materiais de construção, dinheiro e principalmente, beneficiando eleitores com acesso privilegiado a realização de exames através do SUS, por intermédio do laboratório que Marcelo Iunes sempre negou ser de sua propriedade, mas já esteve em nome da sua esposa, e hoje tem seu irmão como proprietário e na época eleitoral, mantinha contrato de prestação de serviços com a Prefeitura.

Os áudios foram extraídos do aparelho celular apreendido pela Polícia Federal, após um servidor comissionado da prefeitura ser abordado na saída do comitê do então candidato a reeleição Marcelo Iunes.

Com ele os policiais encontraram ainda, uma quantia em dinheiro, separada em blocas de R4 250 reais com a inscrição de diversos nomes. Também foi encontrada uma grande quantidade de cópias de documentos, entre eles títulos eleitorais e uma agenda contendo informações sobre a contabilidade.

As mensagens encontradas revelaram a participação de dois vereadores que buscavam a reeleição e um candidato apoiado pelo Prefeito e que integrava o esquema.

Ouça a seguir os áudios e suas respectivas transcrições:


Cestas Básicas

Conversa mantida pelo servidor, os policiais encontraram um áudio com o pedido de dinheiro para confecções de cestas básicas que seriam distribuídas às famílias selecionadas para realização da troca de votos

Nobre! Bom dia ou boa tarde, se você já almoçou, né?! Eu tô na estrada, indo pra caça! Meu líder, deixa eu te falar, eu tenho uns pedidos aqui de (eleitor). O Chefe maior já deu pra me atender 25 famílias tá, eu já resolvi. Aí pintou cinco demandas, cinco famílias, tá?! E… vê com você, se você não me ajeita, é coisa mínima, é quarenta conto pra cada um!

Que eu vou fazer uma cesta igual eu fiz pros outros, de… pra distribuir. Entendeu, fica um negocinho bem legal! Aí são cinco famílias, R$40,00, duzentos conto a gente mata isso aí, tá bom?! Ele (Chefe Maior) me deu pra mim atender um povo e já atendi, aí o pessoal sempre deixa pra depois né, me solicitaram agora aqui!

Aí se for me conseguir, você me dá um alô que quero ver se amanhã de manhã já mato isso aí, tá bom?! E aquelas três demandinhas lá, se você conseguir pelo menos uma cara, que é pra mim atender uma lá da cervejaria que é bem humilde, cara, a mulher ligou até chorando e ela teve filho esses dias entendeu, e eu falei que ia ajeitar um ‘negocinho’ pra ela, tá bom?! Vê aí e me dá uma posição!”

Nos dias que se seguem o servidor chegou a enviar ao vereador as imagens das compras e das cestas que foram montadas para serem entregues às famílias.

Voto é cinquentão por cabeça

Além do valor explicito nas conversas, o servidor cobra o parlamentar que tentava a reeleição a entregar o que chamou de “Doce das crianças”. Expressão que acredita-se ser referente a outras negociações financeiras utilizada para compra de votos.




SERVIDOR: “(Vereador), meu nobre, boa noite! Acabei de sair aqui da casa de dona (eleitora), tá?!

Uma pessoa forte nossa aqui que, acabei de falar com ela quantas pessoas que vem da fazenda dela né?! Ela falou que vem em torno de vinte e duas, vinte e seis pessoas pro dia da eleição, mais a vizinhança dela! Aí já expliquei pra ela, falei que, passei uma relação pra ela, ela vai numerar todo esse pessoal aí, cadastrar tudo certinho! Aí no dia, pra esse povo aqui vai ser cinquentão entendeu? Por cabeça! Tranquilo?”

SERVIDOR: “Outra coisa, já tão me ligando aqui, perturbando, quando que sai do “doce das crianças?”

VEREADOR: “É… vamos fazer o fecha amanhã depois da reunião lá do taquaral, tá?! Porque aí a gente desce aqui pra Tiradentes, pra resolver todo mundo, tá bom?! Um ‘beijo na bunda’!”

Voto barato, seis votos por duas marmitex

As conversas mostraram que a compra de votos através do fornecimento de benefícios, chegou ao ponto de ser efetivada em troca de duas marmitex, destinadas para seis eleitores no bairro Padre Ernesto Sassida.

A conversa se deu entre o servidor que teve o celular apreendido e um outro comissionado da prefeitura que segundo as investigações, estaria à disposição de um candidato a vereador aliado ao prefeito.

No áudio, o servidor chega a debochar do preço pago pelo voto e coloca o próprio eleitor para enviar um áudio cobrando o alimento.





Servidor 1: “Beleza, então! Aí você compra uns dois marmitex a mais e já deixa aqui também, cortesia do (Vereador)

Servidor 1: “Eu já arrumei até um eleitor aqui para (Vereador) aqui viu, por dois

marmitex! Barato hein?! Tomar no cú!”

ELEITOR (Nome desconhecido): “Batata, eu to esperando a marmitex!”

Servidor 1: “Promessa é dívida papai! Se você não trouxer, vai perder os votos da família dele! São seis pessoas lá, te dei de graça, hein?!

Servidor 1: “Eu vou falar pro GORDO que você não pagou o marmitex pro eleitor dele lá, hein?!”

(Em outros áudios, “Gordo” era a expressão utilizada pelo grupo para se referir ao Prefeito Marcelo Iunes)

Exames e atendimento médico

Uma das principais “moedas de troca” utilizada para o angariamento de votos, seria o fornecimento de privilégios ao atendimento médico e realização de exames dentro da rede pública de saúde do município.

A PF indica que os envolvidos compravam os votos em troca de “exames gratuitos”, mas nas custas do SUS, ou seja, do povo. Em ocasiões em que os exames não eram ofertados na rede, entrava em cena o chamado “preço de custo” feitos através do laboratório CITOLAB.

Uma outra conversa entre o vereador e o servidor da prefeitura, fica clara a concessão de privilégio a determinadas pessoas visando o interesse em angariamento de votos mediante a utilização da estrutura municipal.

Mensagem enviada por uma servidora que na época ocupava cargo de sub-secretária deixa claro a forma de agenciamento criada para atender as demandas que eram levadas pelos vereadores que faziam parte da base aliada ao prefeito. No áudio ela enfatiza que as “bondades” só seriam concedidas através da apresentação da guia do SUS, mostrando que os benefícios eram concedidos, mas pagos com recursos públicos.


Em outra situação, um vereador solicitou ao servidor urgência no atendimento de pedidos de exames que seriam para pessoas que chamou de “Pessoal Nosso”.

O servidor responde que naquele pedido especificamente, os exames que são realizados pelo laboratório CITOLAB são gratuitos, mas que outros que precisam ser realizados fora da cidade, o esquema cobraria apenas o “preço de custo”. Na mensagem, o servidor ainda revela que Marcelo (Prefeito) seria o dono do laboratório e a pessoa responsável por autorizar a realização dos exames.




VEREADOR: bom dia, (nome do servidor) eu preciso atender a mulher nesses dois exames pô, é pessoal nosso aí, meu e do Marcelo. Tenta fazer esse agendamento aí e me dá uns dias pra pagar, organiza isso daí.”

SERVIDOR: “(Nome do Vereador), é, então, como eu falei pra você, esse é o padrão que a gente faz pra todos entendeu, até para as pessoas assim que são já eleitor de Marcelo há muitos anos, a gente já até explica como que funciona. Os exames que fazem lá no laboratório dele, ele autoriza e não cobra nada, esses exames que são especiais que vai pra fora, ou seja, coleta o sangue da pessoa aqui e manda fazer lá no Paraná, que que ele cobra? para ajudar, preço de custo, entendeu? O preço que cobram dele lá, ele não coloca um Real em cima, entendeu? É, aí essa questão lá do financeiro, é, a gente só passa o valor. Aí você teria que ir lá no laboratório, tá, eu vou falar com a moça, e aí você falou que quer fazer no cartão né, aí você vai lá e passa o cartão lá, entendeu? Eu vou falar com a moça aqui aí eu vou te enviar o nome dela e na segunda-feira você fala direto com ela lá, tá bom? Ou você manda algum assessor seu, tá bom? Eu vou conversar com ela agora aqui e já te dou um retorno aí!”

O receio de serem pegos pela Polícia Federal, durante a realização das ações ilegais para compra de votos nas eleições municipais de Corumbá em 2020, era uma das preocupações dos servidores comissionados nomeados pelo Prefeito Marcelo Iunes.

Durante conversa de um dos assessores de Marcelo Iunes, um servidor do alto escalão da Prefeitura, fala em enviar dinheiro à duas pessoas e logo em seguida, orienta o servidor a apagar a conversa do seu telefone e repassar a mesma orientação para um terceiro indivíduo.


SERVIDOR: “ Se a Federal bater aí e pega esse computar aí, também cai a casita né?!”

(Fonte Folha MS)

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