SEGURA ESSA

Cientistas estadunidenses restauram órgãos de porcos após a morte

Via | Publicado por Administrador | às 05:43:39

Em um novo estudo publicado na revista Nature na quarta-feira (3), cientistas da Universidade de Yale conectaram os corpos de porcos mortos a uma máquina bombeando um fluido rico em nutrientes, fazendo que seus órgãos começassem a mostrar sinais de vida novamente.

Graças a um novo sistema chamado “OrganEx”, os pesquisadores agora podem manter vivos os órgãos de porcos recém-falecidos interligando os animais a um sistema de bombas, filtros e fluidos. Esse procedimento não restaura a função cerebral dos animais; em vez disso, garante que certas funções celulares nos órgãos vitais dos animais continuem funcionando.

No futuro, o sistema poderia potencialmente ser usado para ajudar a preservar e restaurar os órgãos humanos doados destinados ao uso em procedimentos de transplante, Esse processo poderia expandir o número de órgãos disponíveis para transplante, revertendo os efeitos da isquemia – na qual um órgão sofre danos por fluxo sanguíneo inadequado e suprimento de oxigênio – nos órgãos doados.

Novos estudos em porcos deverão acontecer no futuro. (Foto/Reprodução/AAV)

E, em teoria, tal dispositivo também poderia ser usado em seres humanos vivos para tratar isquemia que ocorre durante um acidente vascular cerebral (AVC) ou ataque cardíaco, revelou o Dr. Robert Porte, professor no departamento de cirurgia da Universidade de Groningen, na Holanda, que não estava envolvido no estudo, mas declarou em um comentário de acompanhamento do trabalho.

No entanto, a tecnologia não será aplicada a seres humanos vivos ou órgãos doados tão cedo. “Isso está muito longe do uso em humanos”, disse Stephen Latham, diretor do Centro Interdisciplinar de Bioética de Yale e coautor do estudo, em uma coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (2).

O experimento de prova de conceito em suínos demonstrou que o sistema “OrganEx” pode restaurar algumas funções celulares em alguns órgãos depois que o sangue parou de fluir para esses órgãos.

O grau de recuperação, entretanto, diferiu entre os órgãos. “Precisaríamos estudar muito mais detalhadamente o grau em que os danos isquêmicos são desfeitos em diferentes tipos de órgãos antes de estarmos ainda perto de tentar um experimento como esse em um ser humano que sofreu danos anóxicos, significando danos nos órgãos por falta de oxigênio”, disse Latham.

A equipe planeja estudar o “OrganEx” em muitos outros estudos em animais “antes mesmo de pensar em traduzir” a tecnologia para os seres humanos, de acordo com o Dr. David Andrijevic, pesquisador associado em neurociência da Escola de Medicina de Yale e coautor do estudo. Novos testes deverão ser conduzidos num futuro próximo.

Foto destaque: Estudos em porcos foram conduzidos em Yale. (Reprodução/EXC)

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