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Trabalho
MULHER

Agosto Lilás - A solução é a Conscientização

Por Juseli Rezende Salgado Baptista (Formada em Assistente Social / Diretora Comercial FM UCDB)

Via | Publicado por Administrador | às 05:00:16

Um mês dedicado à conscientização, Agosto Lilás, ao combate à violência contra a mulher. Iniciei estas linhas pensando no significado da palavra “consciência”. De acordo com o dicionário Michaelis entre os 16 significados da palavra consciência, um deles fala do “sentido ou percepção que permite ao homem conhecer valores ou mandamentos morais, quanto ao certo ou ao errado, e aplicá-los em diferentes situações, aprovando ou reprovando seus próprios atos, de modo que estabeleça julgamentos interiores que lhe propiciem sentimentos de alegria, paz, satisfação etc., derivando daí convicções quanto a honradez, retidão, responsabilidade ou dever cumprido, ou, contrariamente, remorso ou culpa; cacunda”.

Voltando ao mês alusivo ao combate à violência contra a mulher, ainda que não tenha um relato próprio de violência física, lembrei da primeira vez em que tive contato com um ato de violência contra uma mulher. Talvez a memória falhe um pouco, porque a história vem da infância.

Meu pai não estava em casa, numa certa noite, uma vizinha desesperada e ensanguentada bateu a porta de casa procurando abrigo. Lembro de muito sangue no chão e minha mãe fazendo um torniquete na ferida. O companheiro da mulher tinha acabado de feri-la à faca no braço, e minha mãe, muito ágil, acolheu a mulher, trancou a casa e pediu socorro.

Com a gritaria muita gente saiu para a rua para ver o que estava acontecendo. Graças a presença de espírito de outros homens, o agressor foi contido, até a chegada da polícia.

Esta noite chegou ao fim, mas a consciência de que a violência contra a mulher estava por perto nunca mais foi embora.

Com o passar do tempo outros exemplos se seguiram, não tão violentos fisicamente como aquele, mas psicologicamente e financeiramente, sim, aos montes, infelizmente. Mulheres que por causa da dependência financeira sujeitaram-se a casamentos sem amor, carinho e respeito.

Qualificar, preparar a mulher para enfrentar os desafios da vida e assumir o comando de suas decisões minimiza a possibilidade de dominação. Uma mulher empoderada, dona de si, pode até cair na armadilha de uma relação tóxica, mas sem dúvida ela encontrará o caminho da saída.

No entanto, questiono-me se as alternativas para a fuga desta situação estão sendo efetivas. As políticas públicas de enfrentamento a violência estão focadas no cerne do problema? Claro que as iniciativas de socorro, de acolhimento, de qualificação profissional e de empoderamento feminino precisam ser colocadas em prática com a máxima eficácia. Mas neste caso, o acompanhamento está voltado única e exclusivamente para a vítima, não para o agressor.

Pensar o papel do homem, da cultura social de poder, de posse diante da mulher é uma iniciativa que extrapola a vítima.

Mais do que ter consciência e combater a agressão é preciso enxergar o problema sob um outro prisma, já que do ponto de vista da vítima a violência não tem recuado nem um centímetro. Pensar nessa relação antes que ela se torne um ato de violência é fundamental.

Por Juseli Rezende Salgado Baptista (Formada em Assistente Social / Diretora Comercial FM UCDB)

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