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Será o Pentágono o próximo destino do KC-390 da Embraer?

O avião de transporte KC-390, produzido pela empresa brasileira Embraer, atraiu os olhares do mundo após vendas para Portugal. Será esse um indício de que o avião brasileiro tem boas chances no mercado militar da OTAN?

Via Redação | Publicado por Redação | às 05:05:53

A venda anunciada na semana passada para Portugal, que faz parte da OTAN, engloba a transferência de 5 unidades a um valor de € 827 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3,5 bilhões. As aeronaves brasileiras substituirão um modelo concorrente na frota portuguesa, os Hercules da norte-americana Lockheed Martin.

A venda para um membro da OTAN abriu especulações de que outros estados que fazem parte da aliança possam vir ser novos clientes da Embraer - inclusive os Estados Unidos.

Para analisar a questão, a Sputnik Brasil entrevistou o jornalista Roberto Godoy, especialista em assuntos militares.

Godoy afirma que a venda representa o sucesso de um esforço da empresa brasileira em inserir o novo modelo no mercado, para o qual, ele acredita, a empresa tem um senso apurado.

“A Embraer está muito empenhada em colocar essa aeronave no mercado. E uma característica ao longo da história da Embraer é que ela tem uma espécie de, digamos assim, faro para o mercado certo no momento certo”, aponta.

O contrato bilionário fechado com Portugal incluiu também um simulador de voo e apoio técnico de 12 anos, comum nesse tipo de transação.

“Esse avião, o KC-390, é um baita de um avião. Ele é o primeiro da geração dele e tem basicamente um concorrente, que é o Hércules C-130, que é um avião lendário. Porém, com restrições que nem nós mesmos, os seres humanos, conseguimos escapar: está ficando obsoleto”, ressalta o especialista.

Godoy aponta que as vantagens técnicas do KC-390 sobre o concorrente norte-americano são notáveis e explicadas pela idade do modelo dos EUA. Segundo Godoy, o modelo brasileiro é plenamente adaptável e é projeto para cumprir funções variadas, desde abastecimento de aeronaves em pleno voo, a desembarque de tropas e armamentos diversos.

O especialista aponta que a aeronave brasileira leva vantagem no preço sobre os concorrentes.

“A gente consegue colocar um avião desse tipo [KC-390], a versão básica dele, por US$ 85 milhões no mercado. O concorrente que é esse Hércules nessa versão J, dependendo do arranjo, fica entre US$ 90 e US$ 100 milhões”, detalha.
Em uma polêmica transação autorizada pelo governo brasileiro em 2018, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), a Embraer passou por um processo de fusão com a norte-americana Boeing. Em 2019, a fusão foi ratificada pelos acionistas da empresa.

Futuro do KC-390 passa pela mesa da Boeing?

Roberto Godoy explica, porém, que a empresa dos EUA não necessariamente exercerá influência sobre as vendas da aeronave.

“Na verdade o acordo prevê que a Boeing também possa vender, mas não significa que todas as vendas serão feitas por essa joint-venture. Há uma joint-venture que, digamos, credencia a Boeing para vender a Boeing nas praças onde ela tem mais facilidade - são muitas e é uma parceria importante”, explica.

Apesar da possibilidade expressa pelo acordo entre as empresas, Godoy esclarece que a Embraer também terá autonomia para vender o avião.
“As vendas diretas da Embraer Defesa e Segurança continuarão sendo feitas. Na suposição, por exemplo, de haja um país cliente que não se alinha com os Estados Unidos, com a política externa dos Estados Unidos, nem por isso a venda deixará de ser feita”, aponta.

© REUTERS / EMBRAER
Embraer realiza teste de voo do novo cargueiro da FAB

Porém, o especialista alerta que provavelmente essas aproximações fora da zona de influência dos EUA não seriam sequer realizadas.
Godoy acredita que a grande vantagem do acordo entre Boeing e Embraer é o acesso imediato ao mercado oferecido pelo próprio Pentágono.

Pentágono pode ser o próximo cliente da Embraer

“A grande importância dessa joint-venture é que ela permite oferecer [o KC-390] ao Pentágono [...] que não tem um avião - a não ser o Hércules -, não tem um jato, com as mesmas especificações”, ressalta.

O especialista ainda acrescenta que já existe uma expectativa de que em breve o Pentágono pode encomendar aviões do modelo Embraer 314, o Super Tucano, que eventualmente substituiria o modelo A-10 na frota dos EUA.

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