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“Quando metade também é cheio”

José Passarelli

Via José Passarelli | Publicado por Alcina Reis | às 03:25:03

O jovem Tanaka era encarregado de buscar a água que se bebia na casa-escola do mestre Oé. Todas as manhãs ele ia à fonte que nascia ao pé da colina, a vinte minutos de distância, levando duas grandes vasilhas de barro que mantinham a água fresca durante todo o dia. As duas moringas ficavam penduradas nos extremos de uma vara apoiada no pescoço permitindo que Tanaka carregasse até 15 litros sem muito esforço.


Mas acontece que uma das vasilhas tinha uma fenda pela qual escapava parte da água e, ao final do trajeto, só chegava a metade do conteúdo.
Durante os dois últimos anos, essa tinha sido a rotina: Tanaka ia cedo à fonte, enchia os dois recipientes e voltava só com uma vasilha e meia de água.


A moringa perfeita estava muito orgulhosa de suas conquistas; durante todo esse tempo tinha levado toda a água que seu conteúdo permitia. Mas a moringa rachada estava triste com sua própria imperfeição, já que era consciente de que conseguia cumprir metade da obrigação para a qual havia sido criada.
Depois daqueles dois anos de trabalho, a vasilha quebrada não resistia à pressão e disse:


- Estou tão envergonhada!
Tanaka girou a cabeça para à esquerda, viu a pobre cerâmica gemer e perguntou:
- Vergonha de quê, minha amiga?
- Durante todo esse tempo, não fui capaz de levar a água toda até a casa do mestre. - Que desperdício! Por causa do meu defeito fiz você perder parte de seu trabalho- queixou-se a moringa.
Tanaka sorriu amavelmente e respondeu:
- Não diga isso. Estamos chegando à fonte. Encherei você com a água e quero que preste atenção no belo caminho de volta para casa.
Quando chegaram, a moringa se deixou ser enchida e, já sobre os ombros de Tanaka, olhou ao seu redor.
- Este lugar é maravilhoso!- exclamou a moringa.
- Também gosto dele. Está vendo as lindas flores que margeiam o rio?- perguntou Tanaka.
- Sim, são belíssimas!
- Você percebeu que só há flores nesta parte do caminho? Durante esses dois anos, plantei somente deste lado porque sabia que cresceriam flores graças à água que você derramava todo dia- afirmou o jovem.
- Isso é verdade?- perguntou a moringa, emocionada.
- Sim, e graças a isso posso admirar essas flores todos os dias e decorar a mesa do mestre com elas. Minha querida amiga, se você não fosse como é, nem o senhor Oé nem eu poderíamos ter admirado a beleza como temos feito.

PS: Devemos ter atitudes corretas diante de nossos defeitos ou as próprias incapacidades!

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