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Nacional

Acidente com esse tipo de óleo é inédito no Brasil, diz Marinha

Vazamento pode ter acontecido durante um procedimento de troca de carga entre navios, o chamado ship to ship, ou em uma lavagem de tanque

Via Redação | Publicado por Redação | às 21:14:44

Além do almirante, participaram da coletiva, realizada em Recife, Olivaldi Azevedo, diretor de proteção ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e José Bertotti, secretário estadual do Meio Ambiente do Pernambuco.

Puntel explicou que o óleo vazado é cru e muito pesado e que viaja pouco abaixo da superfície, o que traz dificuldades na identificação.

Segundo o almirante, a Marinha levanta quais foram os navios que passaram tanto na costa jurisdicional brasileira - até o limite de 200 milhas náuticas - quanto fora dela para tentar identificar a origem do óleo que atingiu as praias do Nordeste brasileiro.

Puntel também disse que o governo tem certeza de que o óleo não foi produzido ou comercializado no Brasil e provavelmente teve origem no Oceano Atlântico. “Local está sendo identificado” afirmou.

Segundo o almirante, a Marinha trabalha com “todas as possibilidades” em relação à origem do vazamento.
O almirante afirmou ainda que o óleo voltou a aparecer na região de Aracaju no início da tarde desse domingo.

O óleo pode ter vazado durante um procedimento de troca de carga entre navios - o chamado ship to ship - ou durante uma lavagem de tanque.

Almirante Leonardo Puntel

Também há manchas em Pernambuco, nas redondezas do porto de Suape. Nos demais Estados, disse, não há novos registros de manchas.

“Hoje, nos registros que nós temos, existe algumas manchas na praia do Atalaia, em Aracaju, e o óleo na região de Suape, no entorno do porto, e na região do cabo de Santo Agostinho”, disse.

Segundo ele, as manchas não são detectadas pelos radares e o governo tem se valido de aeronaves que varrem a costa para tentar identificar as manchas.

Segundo Azevedo, até agora, há registro de 67 animais “oleados”. Destes, 14 tartarugas mortas.

Apesar das perdas, ressalta Azevedo, o impacto ambiental tem sido menor do que o estimado inicialmente, diante da dimensão da área em que as manchas apareceram.
Durante a coletiva, o secretário estadual do Meio Ambiente, José Berlotti, criticou a demora do governo federal em enviar equipamentos de contenção do óleo e de EPIs (equipamentos de proteção individual) como luvas e botas para permitir o trabalho de voluntários nas praias.

Secretário de PE critica demora do governo federal

Berlotti argumentou que barreiras deixaram de ser instaladas em algumas praias por falta de material e citou uma ação civil pública foi ingressada pelo MPF (Ministério Público Federal) e pelo Ministério Público na Bahia para obrigar o Ibama a instalar barreiras de proteção.
“Os equipamentos não estão chegando em tempo, não temos mais boias de contingência para parar o óleo. Tentamos conter a substância com redes de pesca em algumas praias”, criticou.

Em resposta, Azevedo afirmou que as barreiras de contenção não são efetivas para conter esse tipo de óleo.

“Não há barreira que segure esse óleo, por conta da densidade, da maré. Não somos contra barreiras, somos a favor de barreiras onde tecnicamente elas são viáveis”, disse.

Segundo os técnicos, o óleo é similar a um piche e perigoso para contato com a pele.

Azevedo afirmou que o grupo percebeu que a melhor forma de trabalhar é monitorar o fluxo do óleo e retirá-lo assim que detectado.

O secretário pernambucano discordou de Azevedo e garantiu que nas praias onde foram instaladas as barreiras o óleo foi contido e nas que não receberam as boias, o óleo chegou às praias.

“Estamos conseguindo material por conta própria para criar as barreiras e manter nosso trabalho que inclui sobrevoo todas as manhãs de helicóptero para monitorar aparição de manchas. ”

O almirante afirmou que o governo federal vai cobrir todos os custos dos órgãos dos três entes da federação que trabalham para limpar a costa.

Também ressaltou que diariamente aeronaves estão sobrevoando todo a costa brasileira para monitorar o aparecimento de manchas e que estão agindo.
Ao ser questionado sobre o destino dos resíduos retirados da costa brasileira, o almirante Leonardo Puntel afirmou que a indústria cimenteira se interessou em receber os resíduos para usá-los na produção de energia.

Cimenteiras querem resíduos para produção de energia

O secretário estadual disse que os centros de coleta estão trabalhando todos os dias para receber o material, que vem sendo armazenado e serão enviados para as cimenteiras.

Os representantes do Ibama, da Marinha e do estado também alertaram que todos os voluntários que estão trabalhando na ação não devem tocar a substância por ser altamente tóxica.

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