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Tiririca já deixou claro ao partidos que não tentará um terceiro e garantido mandato na Câmara Federal. Werther Santana/Estadão Conteúdo

LEILÃO: Compra-Se ‘PASSES De DEPUTADOS’ Por Até R$ 2,5 Mi, DINHEIRO PÚBLICO Paga Leilão Nos Corredores Do Congresso.

Os corredores, gabinetes e salões do Congresso Nacional abrigaram nos últimos dias um intenso mercado de deputados federais com ofertas bancadas pelos cofres públicos.

Segundo a FOLHA, o PR, de Valdemar Costa Neto – um dos condenados no mensalão (q este mês se reuniu com TEMER para compor cargos e Ministério***) -, lidera as ofertas, com a promessa de R$ 2,5 milhões do fundo eleitoral.

Nem reforma da Previdência, nem intervenção no Rio de Janeiro. Os corredores, gabinetes e salões do Congresso Nacional abrigaram nos últimos dias um intenso mercado de deputados federais com ofertas bancadas pelos cofres públicos.

Não tem ideologia, é tudo dinheiro. Nunca houve uma negociação tão explícita. Tem uma turma aí que joga pesado. As declarações de parlamentares de três partidos são algumas das várias gravadas pela reportagem em conversas, na semana que passou, com 56 deputados de 19 legendas.

A exemplo da janela de transferência de jogadores de futebol, ‘o passe’ na Câmara vem sendo negociado por valores que variam de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões.

As negociações ocorrem até durante as sessões e viraram tema da reunião de uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados, a do PSDB, com o presidenciável Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, na quarta-feira (21).

‘Passe aqui’, virou jogador de bola, ‘é passe’. Eu falei muito claro o seguinte: Gente, quem quiser sair por causa de dinheiro que saia logo, disse Nilson Leitão (MS), líder da bancada. De 8 de março a 6 de abril será aberto um período em que os parlamentares poderão trocar de partidos sem risco de perder o mandato por infidelidade.

O assédio aos deputados se dá porque o desempenho das legendas na eleição para a Câmara, em outubro, definirá a sobrevivência ou morte delas. As verbas públicas e o tempo de propaganda na TV para legendas são definidos com base no desempenho, nas urnas, de seus candidatos a deputado federal. Essa será a primeira eleição geral sem a possibilidade de financiamento empresarial.

Com isso, as campanhas contarão com dinheiro público �a soma de dois fundos (o partidário e o eleitoral), de R$ 2,6 bilhões, autofinanciamento, além de doações de pessoas físicas. Projeta-se que cada voto para deputado valerá para a legenda, só de fundo partidário, R$ 9 ao ano. Entre os parlamentares que admitem estar ouvindo propostas, todos dizem ainda estar avaliando o cenário.

Ciro Nogueira [presidente do PP] e Valdemar [Costa Neto, um dos líderes do PR] são os caras mais profissionais. (…) Está todo mundo escutando muito [sondagens], até pra ver o que está vindo de todos os lados. (…) Todo partido quer deputado, e aí você ouve vem pra cá, vem pra cá. Mas eu primeiro vou escutar o meu partido. Meu partido nunca falou ainda pra mim o que eu vou ter, como que vai ser, declarou Uldorico Júnior (PV-BA).

Tem um mercado. Depende do quanto paga, né?, afirmou o deputado Paulinho da Força (SP), presidente do Solidariedade.

À FRENTE DO BALCÃO
Ele faz um diagnóstico que é repetido por quase todos os parlamentares ouvidos pela reportagem: o de que o PP (Partido Progressista), sigla de Paulo Maluf e uma das principais envolvidas na Lava Jato, e o PR (Partido da República), de Valdemar Costa Neto, um dos condenados no mensalão, lideram as ofertas, com a promessa de R$ 2,5 milhões do fundo eleitoral, o máximo que um deputado poderá gastar na campanha. Teriam também controle da legenda no Estado e tempo de propaganda na TV.

Cinco parlamentares disseram à reportagem ter ouvido relatos de propostas ainda maiores, com o compromisso de repasses mensais, além do montante para a eleição de outubro. O DEM do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), também aparece como um dos que estão na linha de frente do balcão. O partido, porém, não estabeleceu ainda um valor específico, tendo prometido até agora dar aos novos deputados a mesma quantia que destinará aos atuais. Outros partidos políticos menores também estão na movimentação.

Do outro lado, na tentativa de segurar seus deputados, MDB, PSDB e PT estão sendo pressionados a formalizar contrapropostas de valores de campanha. O MDB teve de anunciar nesta semana que dará R$ 1,5 milhão a cada deputado seu para a reeleição. PSDB e PT devem fazer o mesmo. Nenhum deles, no entanto, tem caixa suficiente para cobrir ofertas de mais de R$ 2 milhões para as campanhas de cada um de seus deputados federais eles têm um maior número de candidatos e precisam dividir o bolo com quem vai disputar cargos majoritários (Presidência, governos e Senado).

Nunca houve uma negociação tão explícita. Parece contratação de jogador de futebol. Oferecem luva, uma boa mesada e um prêmio no final, afirmou Silvio Costa (Avante-PE). O problema não é ideológico, é tudo dinheiro, reforça Marcus Pestana (PSDB-MG).

Até o octogenário Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que está no décimo mandato, disse que não existe mais fidelidade partidária. Aqui o candidato é mais forte que os partidos. Então, o candidato procura se fortalecer, e fortalecimento hoje em eleição é dinheiro.

O mercado de parlamentares também é confirmado pelo deputado que foi durante o maior período o responsável pela articulação política do governo do presidente Michel Temer com o Congresso, Antônio Imbassahy (PSDB-BA). Tem um grupo que está observando a cena, são dois aspectos básicos [para as migrações]: as questões locais, como sempre, e também aquilo que está sendo divulgado aí, de fundo partidário, disse o ex-ministro da Secretaria de Governo.

PILANTRAS
Dizendo não participar de negociações, o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) afirmou haver três tipos de bancadas, entre elas a dos pilantras. Aprendi que tem três tipos de deputados, tem uma parte que é séria, uma parte que é pilantra e uma parte que fica aí vendo qual é a regra do jogo. Tem uma turma aí que joga pesado, tem uns partidos que jogam pesado.
Tem oferta para todo gosto. A média que estou ouvindo falar, dos partidos com mais credibilidade, é em torno de R$ 1 milhão, ou R$ 1,5 milhão, afirmou Rodrigo Martins (PSB-PI).

A infidelidade partidária é uma tradição no Brasil e existiu sem amarras até 2007, quando o Tribunal Superior Eleitoral editou regras para tentar barrar a prática. Brechas na lei e a morosidade da Justiça, porém, fizeram com que a medida nunca tivesse eficácia completa. Em 2015, o Supremo Tribunal Federal afrouxou essas regras ao liberar trocas para cargos majoritários presidente, governadores, senadores e prefeitos. Nesse mesmo ano, o Congresso aprovou lei estabelecendo uma janela do troca-troca a cada ano eleitoral.