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Esquema de lavagem de dinheiro da organização de Cabral utilizava empresa de delegado

Verba de corrupção chegava em espécie pelas mãos de operador de Cabral, Ary da Costa Filho. Depois, era inserida na contabilidade do Grupo Dirija para, posteriormente, ser destinada a firmas indicadas pelo esquema – uma delas, a Finder.

Finder Executive Consulting Assessoria era uma das empresas beneficiadas pelo esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral. É o que afirmam os procuradores do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis por mais um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio, realizado na manhã desta terça-feira (13).

A Finder tinha como um dos sócios o delegado Marcelo Martins, chefe das delegacias especializadas da Polícia Civil e detido na manhã desta terça-feira durante a operação "Pão Nosso", por suspeita de participação em um esquema que desviou, pelo menos, R$ 73 milhões dos cofres públicos com o fornecimento de pão para os presos das cadeias estaduais.

De acordo com o levantamento feito pelos promotores, a empresa ficava com o dinheiro que já havia sido lavado por orientação do operador financeiro de Cabral, Ary Ferreira da Costa Filho. Entre outubro de 2010 e junho de 2014, a Finder recebeu da Dirija, por meio de diversos pagamentos, um total de R$ 680 mil.

Ary já foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão por por lavagem de ativos e pertencimento a organização criminosa.

A descrição de como o esquema funcionava foi feito em depoimento de Jaime Luiz Martins, um dos integrantes do grupo Dirija, intermediário no esquema de lavagem de dinheiro.

Segundo ele, Ary Ferreira da Costa Filho levava o dinheiro em espécie conseguido por meio do esquema de propina comandado por Cabral até as empresas Dirija. Uma vez lá, a verba era internalizada na contabilidade do grupo e, posteriormente, repassada, já limpa, para empresas indicadas por Ary. Uma delas era a Finder, cujos sócios eram Carlos Mateus Martins e seu filho, o delegado Marcelo Martins.

De acordo com os promotores, não é apenas a presença na sociedade da Finder que justificaria as suspeitas sobre atos praticados pelo delegado – ele também seria, segundo o MPF, muito próximo a Ary.

 

G1